O caminho do pólen – Uma forma bela de se viver…

Somos, como todas as coisas, parte da natureza e também estamos ao seu serviço. Podemos elevá-la a uma dimensão simbólica, metafórica, própria do espírito humano, criando e vivendo eticamente. Ou denegri-la, empobrecendo-a de sua abundância. As forças da natureza despertam e se interessam pelo homem que vive belamente, querem participar de sua vida.

Somos responsáveis pela vida por um tempo, depois a devolvemos. Quem nos tornamos neste tempo?

O caminho do pólen é um chamado para o reconhecimento do espírito em todas as coisas, numa forma bela de se viver.

A contemplação surge a partir do amadurecimento do medo, num despertar da consciência conciliada com o tempo presente, com os afetos e com a própria alma.

Não se pode mover uma palha sem perturbar uma estrela.

Não se pode mover uma palha sem perturbar uma estrela.

Esta é uma antiga perspectiva da realidade. Tudo está em contato e disponível a uma relação de intimidade para uma consciência desperta.

Essa é a mente intuitiva, orgânica, presente no silêncio de nosso corpo. Você a percebe quando se desocupa da constante luta que estranhamente consome e regula a maior parte de nossas relações.

O eu profundo tem uma natureza amorosa. Essencialmente, o amor é uma força que reúne.

A consciência compõe, a todo instante, permissões e lugares legítimos para este desejo natural de contato e união. Exemplos: eu, mãe, pai, vida, mundo, espírito, universo, Deus…..

Quando duas pessoas se disponibilizam em suas fragilidades…

Quando duas pessoas se disponibilizam em suas fragilidades, surge a grande oportunidade do crescimento da intimidade e do amor na relação. As fragilidades são as sementes da confiança.

A confiança não pode em realidade preexistir, ela se desenvolve na reciprocidade da relação. A honestidade é o grande guia para o amadurecimento do medo nas relações.

Quando uma pessoa demonstra sua fragilidade numa relação e a outra se aproveita para empoderar uma forma de controle e domínio sobre ela, a intimidade se recolhe da relação. É comum a estratégia de construir estados arrogantes de força, julgamento e imposição para camuflar os próprios medos e fragilidades.

Para mim, a fragilidade tem a força de toda semente, pode germinar, crescer em árvore e frutificar. A arrogância tem o poder do machado que consome florestas, representa a incapacidade de cultivar, participar do crescimento. O frágil e o fraco se distinguem no investimento de vida que representa o amor com honestidade. Um cresce e o outro se disfarça.

Destruir ou denegrir é tão mais fácil que construir…

Nos encontramos intimamente engajados na organização de nosso entorno…

Nos encontramos intimamente engajados na organização de nosso entorno. Esta é uma repercussão natural do acontecimento da vida, que nos reúne por meio de uma grande rede psíquica. Esta organização pode se tornar uma realidade consciente, pelo esforço do aprimoramento da atenção e do cuidado na consideração a si e no respeito ao outro, ou permanecer como parte de uma relação inconsciente, que nos mobiliza naquilo que nos diz respeito em nossa passividade, e por conta disto, sem mérito.
Nossa individualidade tão valorizada e defendida sucumbe em termos de saúde e sanidade quando é incapaz de portar uma realidade de valores vividos. A inflação do eu leva ao delírio do desejo e das escolhas inconsequentes.

Na medida em que a passividade predomina, nos refugiamos em uma subjetividade de imagens e pensamentos que pouco nos renovam.

Assim, regredimos para a expressão de contornos emocionais mais imediatos, pouco ousados, mais vinculados a um senso de sobrevivência afetiva. Fundamentalmente, mais medrosos e infantis. Entramos sem perceber no ritmo acelerado da ambição eufórica que nos vampiriza. Esta cultura de consciência da liberdade enquanto capacidade de trocar, de sair e de descartar a qualquer momento.

Nos encontramos ocupados em nosso esquecimento com distrações que anestesiam a percepção do tempo que passa, instituindo um conforto afetivamente inerte.

E, enquanto tudo está bem, o corpo é matéria a ser modelada pela personalidade sedutora, o outro é um objeto de desejo que pode ser descartado sem grandes consequências, pois na estética jovem há uma eterna abundância. Afinal, somos hiperbóreos. A morte está distante, é uma forma de pessimismo para a pessoa saudável. Dificuldade é chatice, excelência é coisa de velho. A dor sempre pode ser remediada e a condição humana, por sua vez, é só uma ideia mirabolante demais para ser assimilada, reconhecida e tornada um exercício consciente.

O forte papel que a euforia, as distrações e seus parceiros químicos…

O forte papel que a euforia, as distrações e seus parceiros químicos cumprem no sentido de nos auxiliar a suportar a realidade emocional revela a grande fragilidade de nosso modelo de consciência.

A individualidade, tão celebrada pela sociedade contemporânea, declara um sentido de liberdade, porém muitas vezes, pouco nos importamos com o que isto realmente significa.